O tique-taque é o som de motor mais ambíguo que existe. Alguns motores tiquetaqueiam a vida inteira e essa é a voz normal deles; em outros, o mesmo som significa comando de válvulas gasto. Não é preciso entrar em pânico com o primeiro tique-tique embaixo do capô, mas também não dá para carimbar todo estalo como característica de projeto. Veja o que tiquetaqueia de fábrica, o que tiquetaqueia por desgaste, como separar sem desmontar nada e quando é hora de ir à oficina.

O que pode tiquetaquear num motor

Tique-taque é um som ritmado, de frequência alta, sincronizado com o motor. As origens não são muitas, e quase todas moram na parte de cima do motor:

  • bicos injetores — as válvulas que dosam o combustível; nos sistemas de injeção direta eles abrem sob alta pressão e tiquetaqueiam bem alto;
  • tuchos hidráulicos — êmbolos que usam a pressão do óleo para tomar a folga do comando de válvulas;
  • o mecanismo de válvulas com regulagem manual — com folgas grandes os cames batem nos balancins;
  • a corrente de comando — esticada, ela matraqueia, lembrando um tique rápido;
  • o coletor de escape — uma trinca ou uma junta queimada sopra os gases com uma nota característica de tique;
  • a bomba de vácuo e a bomba de alta pressão de alguns motores estalam de fábrica.

O retrato geral do sintoma, com exemplos de som, está na página motor tiquetaqueando.

Quando o tique-taque é normal

Três situações em que o som não significa defeito.

Bicos de injeção direta. Na maioria dos motores modernos com siglas GDI, TSI, T-GDI e parecidas os bicos são audíveis até de dentro da cabine em marcha lenta. É característica de projeto: a agulha do bico abre centenas de vezes por minuto sob dezenas ou centenas de bar. Esse som estava lá desde o primeiro dia, não muda com o aquecimento e não progride.

Um tique curto depois da partida a frio. Até a bomba de óleo levantar a pressão, os tuchos hidráulicos trabalham secos e tiquetaqueiam. Normal são alguns segundos, até meio minuto, e mais tempo no frio. Onde passa a linha entre normal e desgaste está detalhado em batida no motor só a frio.

Um fundo tipo diesel em algumas famílias de motores. Certos motores — principalmente com sincronismo por corrente e injeção direta — matraqueiam bem mais alto que os pares, e donos do mesmo modelo ouvem exatamente a mesma coisa. Teste útil: escutar um carro sadio do mesmo modelo e ano.

Quando o tique-taque é sintoma

SinalCausa provávelPerigo
Sempre tiquetaqueou, o som não mudaBicos, funcionamento normalNenhum
Tique de até 30 segundos depois da partidaTuchos hidráulicos, normalNenhum
Tique por minutos a frioÓleo velho, desgaste dos tuchosBaixo, mas não arraste
Tique com motor quente, apareceu há poucoFolga de válvulas, tuchosMédio
Tique com nota metálica, sobe com a rotaçãoCorrente de comando, escapamentoMédio para cima
Tique junto com a luz de pressão do óleoFalta de lubrificaçãoAlto, desligue o motor

O grande divisor de águas é o histórico do som. O tique de fábrica é estático: já estava lá quando você comprou o carro e soa igual ano após ano. O tique de sintoma aparece de repente, está ligado à temperatura ou à quilometragem e fica mais alto com o tempo. Se o motor passou a tiquetaquear a quente e antes não fazia isso, checam-se primeiro as folgas de válvula e os tuchos hidráulicos; o cenário completo está em batida no motor quente.

A combinação de tique com pressão de óleo merece atenção separada. Se o tique apareceu junto com a luz do óleo piscando em marcha lenta, o problema não é o comando de válvulas em si: as peças que dependem de pressão é que são as primeiras a reagir à falta de lubrificação. Continuar rodando nessa situação não é sensato — primeiro cheque o nível, depois mande medir a pressão.

Caso à parte é quando o tique fica mais áspero e um motor a gasolina passa a soar como diesel: duro e matraqueante, principalmente sob carga. Esse cenário tem a própria lista de causas, das folgas à detonação.

Estreitando a causa por conta própria

  1. Temperatura. Anote se o motor tiquetaqueia frio, quente ou sempre. Som só antes de aquecer aponta para óleo e tuchos; som a quente aponta para folgas e desgaste.
  2. Rotação. Levante a rotação suavemente até 1500–2000. O tique acelerou junto — a origem é mecânica e gira com o motor; ele sumiu — a pressão de óleo que subiu provavelmente curou os tuchos ou o tensor da corrente.
  3. Óleo. Confira o nível na vareta e lembre a data da última troca. Nível baixo e óleo vencido são a causa mais comum e mais barata de tique.
  4. Localização. Do lado da tampa de válvulas — comando de válvulas; do lado da flauta — os bicos; na frente do motor — corrente e acessórios; embaixo, no escapamento — o coletor.
  5. Cheiro. Tique com cheiro de escapamento embaixo do capô quase sempre é vazamento de escape, e não válvulas — sinais de junta do coletor de escape queimada.

Essas observações não substituem um diagnóstico, mas poupam tempo do mecânico e encurtam a lista de verificações. Vale também simplesmente gravar o som no celular: o tique tem o costume de sumir bem na hora da visita à oficina — especialmente o que só vive com o motor frio depois de uma noite parado. Uma gravação de partida a frio feita de manhã costuma dizer mais que uma hora escutando o carro quente; a página de sintoma específica é batida no motor a frio.

Como se decide o conserto

A lógica do gasto é simples: quanto mais cedo a origem for achada, mais barata a resposta. A ordem vai do gratuito ao caro — nível e especificação do óleo primeiro, porque óleo novo na viscosidade certa sozinho fecha boa parte dos tiques; depois uma sessão de estetoscópio e uma medição de pressão de óleo; e só então peças.

Duas coisas que os mecânicos nem sempre falam. A regulagem de folga de válvulas custa valores muito diferentes conforme o projeto — em motores com parafuso de ajuste é serviço de rotina, enquanto naqueles em que a folga se ajusta por seleção de pastilhas é outra ordem de mão de obra; então pergunte em qual caso o seu se encaixa antes de comparar orçamentos. E um comando de válvulas tiquetaqueando por anos sem atenção desgasta os cames — e, em vez de uma regulagem, chega a conta dos eixos de comando.

Se você não tem certeza se o seu caso é o inofensivo, grave o motor no aplicativo Pro-Stuk: ele cruza a gravação com as suas respostas às perguntas e mostra as causas prováveis com nível de urgência. Com isso fica mais fácil decidir entre ir nesta semana ou apenas acompanhar.