Um guincho vindo debaixo do capô é um dos sons mais reconhecíveis de um carro, e sua origem é quase sempre a correia de acessórios. Por hábito ela é chamada de correia do alternador, embora na maioria dos carros modernos uma única correia poly-V gire vários componentes ao mesmo tempo: o alternador, a bomba d’água, a bomba da direção hidráulica e o compressor do ar-condicionado. Veja de onde vem o guincho e como o momento em que ele aparece encurta a lista de causas.

De onde vem o guincho

A correia transmite rotação por atrito: o tensor a pressiona contra as polias e, normalmente, a borracha rola sobre o metal sem deslizar. Quando não há aderência suficiente — por tensão frouxa, nervuras gastas ou superfície escorregadia — a correia começa a patinar. A borracha vibra contra a polia em alta frequência, e sai aquele ganido, como uma palma molhada no vidro.

Daí a conclusão principal: o guincho não é o caráter de uma correia específica, e sim o sintoma de perda de aderência em algum ponto do acionamento. A descrição geral do sintoma e de seus parentes está na página guincho da correia.

As causas principais

CausaComo se manifestaO que fazer
Tensão frouxa, tensor cansadoGuincho sob carga: partida, ar-condicionado, direçãoVerificar a tensão, trocar o tensor gasto
Desgaste da correia: trincas, nervuras vitrificadasGuincha com mais frequência, também com o motor quenteTrocar a correia
Óleo ou líquido de arrefecimento nas poliasGuincho variável, película oleosa na correiaAchar e corrigir o vazamento, trocar a correia
Roletes gastos, polias enferrujadasUm chiado ou zumbido se junta ao guinchoTrocar os roletes, limpar as polias
Componente acionado travandoGanido agudo, possível cheiro de borracha queimadaDiagnosticar o componente e reparar
Água depois de uma poça ou lavagemGanido breve, some sozinhoObservar; não precisa de reparo

Sobre fluidos, especificamente: uma correia encharcada de óleo não se salva com limpeza — a borracha já absorveu o óleo e o guincho voltará. O que importa é achar a origem. O óleo do motor costuma vir dos retentores ou da tampa de válvulas, enquanto o líquido de arrefecimento vem mais frequentemente da bomba d’água: seu selo gasto chora bem ao lado das polias. Os sinais desse defeito estão reunidos no material sobre a bomba d’água em falha.

O que o momento do guincho diz

O horário do som é metade do diagnóstico:

  • Alguns segundos após a partida, com o motor frio. Borracha enrijecida mais a condensação da manhã. Estágio inicial: a correia ou a tensão já estão no limite, mas durante o dia o carro fica quieto. Veja também a página de sintoma guincho na partida.
  • Na chuva e na umidade. Água nas polias reduz o atrito. Uma correia nova com tensor saudável atravessa a umidade em silêncio; uma gasta gane.
  • Quando o ar-condicionado aciona ou o volante é girado. O compressor e a bomba da direção adicionam carga. Se não há reserva de tensão, a correia entra em patinação exatamente nesses momentos.
  • Constantemente, em qualquer situação. Estágio avançado de desgaste, contaminação séria por óleo ou um componente travando. Isso não deve ser arrastado.

O inverno acrescenta seu próprio cenário: no frio intenso até correias relativamente novas guincham, porque a borracha perde flexibilidade e pode haver geada nas polias. Se o som some depois de um minuto de aquecimento e não volta durante o dia, ainda é cedo para se preocupar — mas uma inspeção na primeira oportunidade não faz mal.

Há um sinal indireto sem relação com o som. Uma patinação forte não é só ganido. O alternador gira mais devagar do que deveria nesses momentos, e o sistema elétrico recebe menos corrente. Os sintomas aparecem sem instrumentos: os faróis enfraquecem em marcha lenta quando o ar quente liga, o som reinicia, a luz da bateria pisca de vez em quando. Se o guincho vem acompanhado de esquisitices assim, a verificação definitivamente não deve ser adiada — o próximo estágio é uma bateria descarregada no momento mais inconveniente.

Como verificar você mesmo

Quatro passos, possíveis sem vala e sem ferramentas:

  1. Inspecione a correia com uma lanterna. Trincas atravessando as nervuras, face de trabalho brilhante e vitrificada, desfiamento e delaminação nas bordas são sinais de desgaste. Gire a correia por trechos apenas com o motor desligado.
  2. Procure vestígios de fluidos. Brilho oleoso na correia, escorridos pelo bloco, marcas avermelhadas ou esbranquiçadas de líquido de arrefecimento perto da polia da bomba d’água.
  3. Verifique a tensão. Em carros com ajuste manual, a correia deve ceder cerca de 5 a 10 milímetros sob a pressão do dedo no trecho mais longo. Um tensor automático se avalia pelas marcas de desgaste e por ver se a polia dele treme com o motor em funcionamento.
  4. Inspecione as polias. Ferrugem, desgaste profundo nos canais, sujeira encrostada — tudo isso reduz a aderência mesmo com uma correia nova.

Se a correia parece saudável mas o guincho é uniforme e sobe com a rotação, a origem pode ser um rolamento em vez da borracha. Dá para separar os dois sem desmontar nada apenas comparando como o som reage ao aumento de giro e à carga.

Como se decide o reparo

A regra prática: se a correia está sendo trocada por desgaste, os roletes e o tensor devem, no mínimo, ser verificados quanto a folga e ruído — desmontar o mesmo conjunto de novo um mês depois custa mais do que fazer as duas coisas de uma vez.

Duas coisas que os mecânicos nem sempre dizem. A mola do tensor é o que de fato define a aderência, e ela cansa de forma invisível: uma correia montada em um tensor cansado guincha de novo em poucas semanas, então pergunte se o ponteiro do tensor está dentro da faixa. E se a correia foi contaminada, o vazamento tem que ser corrigido antes de qualquer coisa — correia nova sobre vazamento não resolvido é dinheiro gasto duas vezes.

Ao que leva ignorar

Uma correia patinando superaquece e envelhece mais rápido, então o final é sempre o mesmo — o rompimento. O que vem depois depende do que estava pendurado nessa correia: sem o alternador o carro anda com a carga da bateria (normalmente de 30 a 60 minutos), sem a bomba da direção o volante fica subitamente pesado, e sem a bomba d’água o motor superaquece em poucos minutos. Um cenário desagradável à parte, em alguns motores, é um pedaço da correia de acessórios ser arrastado para dentro da tampa da correia dentada, e aí as consequências ficam realmente caras.

Quando não dá para saber de ouvido se é a correia, um rolete ou um rolamento em algum dos componentes, grave o som no aplicativo Pro-Stuk: ele compara a gravação com as suas respostas e mostra as causas prováveis com um nível de urgência — o que deixa a conversa na oficina bem mais objetiva.