Um chiado vindo de baixo do capô é um som fácil de se acostumar. Ele aparece numa manhã fria, dura meio minuto e some, e já na semana seguinte parece parte normal da rotina de dar a partida. Quem chia é a correia do alternador — a tira de borracha que aciona o alternador e, na maioria dos motores, também a bomba d’água e a bomba da direção. Aqui está o que o dono arrisca ao deixar para depois, e onde fica a linha entre «eu chego lá» e «hora da oficina».

O que um chiado significa

A correia chia quando patina numa polia: a velocidade da correia e a velocidade do canal deixam de coincidir, a borracha esfrega no metal e sai uma nota aguda. Há três motivos para patinar. Primeiro, a correia esticou ou as nervuras gastaram, e ela já não agarra a polia como quando nova. Segundo, o tensor desistiu: o mecanismo de mola ou hidráulico que mantém a correia sob carga constante. Terceiro, caiu líquido na correia — fluido de arrefecimento de uma bomba suando, óleo de um retentor, ou simplesmente água depois da lavagem.

Existe um quarto cenário muito confundido com chiado de correia: rolamento travando num tensor, no alternador ou na bomba d’água. Ele também dá uma nota aguda, mas a correia não tem culpa — o conjunto resiste a girar e a correia escorrega em cima dele.

Descobrindo o quanto é urgente

QuadroO que significaUrgência
Chiado só a frio, 10–30 segundosTensão no limite inferior do normalTroca programada
Chiado ao ligar o ar ou em esterço totalA correia não segura o pico de cargaSemanas
Chiado constante, indiferente ao aquecimentoDesgaste da correia ou tensor cansadoEm poucos dias
Chiado mais um zunido em qualquer rotaçãoRolamento de tensor, alternador ou bombaNão adiar
Trincas visíveis, nervuras faltando, delaminaçãoA correia chegou ao fim da vidaImediatamente

Confira à parte a coisa mais simples: desligue o motor e olhe a correia com uma lanterna. Trincas transversais nas nervuras, bordas desfiadas, superfície brilhante e «envernizada» — tudo isso é motivo para não enrolar. Os exemplos de som estão na página de sintoma chiado de correia, e separar a correia dos conjuntos que ela aciona é assunto de zunido sob o capô: alternador ou bomba d’água.

O que você arrisca ao continuar

O chiado em si não quebra o carro. A correia partida quebra — e aqui tudo depende do arranjo do motor. Se a correia move só o alternador, romper significa ficar sem carga: o carro roda de meia hora a algumas horas na bateria e para. Se a mesma correia move a bomba d’água, romper interrompe a circulação do líquido de arrefecimento e o superaquecimento vem em minutos. Superaquecer significa cabeçote empenado e um reparo duas ordens de grandeza mais caro que uma correia nova.

Um incômodo à parte: uma correia partida pode ser puxada para dentro de uma tampa ou se enrolar nas polias, danificando sensores e chicote. Então a lógica aqui é a mesma de outros ruídos «toleráveis»: a situação não é perigosa até virar perigosa de uma vez.

Como se decide o reparo

A primeira pergunta é se a correia é a causa ou a vítima. Uma correia que chia porque líquido de arrefecimento pinga nela vai chiar de novo um mês depois da troca, a menos que o vazamento seja achado; o mesmo vale para óleo do retentor dianteiro do virabrequim. Pergunte o que havia na correia quando ela saiu.

A segunda é o que volta junto com ela. Os tensores e roldanas têm vida útil comparável à da correia, e a mão de obra para chegar até eles já foi paga — trocar só a correia num motor rodado é o clássico da visita repetida. Em motores com polia desacopladora no alternador (comum em diesel e em motores a gasolina modernos) essa polia é por si só uma causa frequente de chiado e vale conferir enquanto tudo está aberto.

A terceira é a própria tensão. Muitos motores atuais usam correia elástica, que exige ferramenta específica e nunca deve ser montada na base da chave de fenda, e um tensor automático tem marcação indicadora de desgaste que mostra se ele ainda está na faixa. Uma oficina que não menciona nenhum dos dois está chutando.

Se você não tem certeza se é a correia chiando ou um rolamento zunindo dentro de um acessório, grave o som com o aplicativo Pro-Stuk na partida fria e repita com o motor quente. A diferença entre as duas gravações diz mais sobre a causa que qualquer descrição em palavras — e o aplicativo cruza isso com suas respostas a algumas perguntas e mostra as hipóteses prováveis.