Um guincho de freio depois da chuva ou de uma noite parado é uma das preocupações mais comuns na estação úmida. Na maioria dos casos o som é inofensivo e some depois de algumas frenagens, mas às vezes a umidade apenas torna audível um problema que já existia antes da chuva. Abaixo: de onde vem o guincho, como diferenciá-lo do desgaste das pastilhas e o que fazer se for necessário reparo mesmo.

De onde vem o guincho depois da chuva

Um disco de freio é uma peça de ferro fundido exposta cuja superfície de trabalho não tem revestimento protetor: qualquer revestimento seria raspado nas primeiras frenagens. Então ar úmido, chuva ou lavagem cobrem o disco com uma fina camada de ferrugem em poucas horas — a película alaranjada fica bem visível pelos raios da roda de manhã.

Nas primeiras aplicações as pastilhas raspam essa película. Enquanto a camada de óxido não sai, o coeficiente de atrito oscila, e o par pastilha e disco vibra em alta frequência — é essa vibração que ouvimos como guincho ou chiado. A umidade também muda o comportamento do próprio material de atrito: uma pastilha molhada agarra diferente de uma seca, o que soma ao som.

Há um segundo mecanismo. A água leva sujeira e pó de freio para o suporte da pinça, onde as pastilhas se movem. Se a graxa dos pinos deslizantes está velha, uma pastilha pode prender levemente depois da chuva e roçar no disco mesmo sem o pedal.

Quando o guincho é normal

Um guincho “molhado” inofensivo tem uma assinatura reconhecível:

  • aparece de manhã depois de chuva, lavagem ou simplesmente uma noite úmida;
  • se ouve nas primeiras 5 a 10 frenagens e depois desaparece por completo;
  • se manifesta mais em baixa velocidade e com pressão leve no pedal;
  • não vem acompanhado de mudança no curso do pedal ou na distância de frenagem.

Os freios são igualmente barulhentos, de forma normal, depois de o carro ficar vários dias parado, depois de uma noite fria com variação de umidade e nos primeiros duzentos ou trezentos quilômetros com pastilhas novas, enquanto elas assentam.

Freios traseiros a tambor

Em carros com tambores atrás, a umidade se manifesta de outro jeito: o tambor é fechado e a água evapora dele mais devagar, então depois da chuva as primeiras aplicações podem trazer não um guincho, mas um gemido surdo ou uma leve agarrada — especialmente se o freio de mão foi usado na véspera. Isso também passa conforme seca. Um freio de mão congelado depois de uma lavagem em temperatura negativa é história à parte: não saia com solavanco, deixe as lonas descolarem.

Quando o guincho é um aviso

Fique atento se o som não vai embora junto com a umidade. Os cenários principais:

CenárioCausa provávelO que fazer
Guincho de manhã depois de umidade, some em 5 a 10 frenagensFerrugem superficial nos discosNada — isso é normal
Guincho em toda parada, em qualquer climaPastilhas gastas ou vitrificadas, disco riscadoInspecionar pastilhas e discos
Chiado metálico fino em movimento, some ao frearO indicador mecânico de desgaste disparouTrocar as pastilhas em dias
Raspagem grosseira de metal contra metalA pastilha chegou à base, o disco está sofrendoOficina sem demora
Guincho com o carro puxando ao frearUma pinça travando de um ladoDiagnóstico de freios

A raspagem é um som fundamentalmente diferente do guincho: grosseira e abrasiva, significa metal contra metal. Esse sintoma é tratado em raspagem ao frear, enquanto a análise geral dos freios guinchando está em freios guinchando.

Uma situação especial é ficar muito tempo parado em local úmido, duas semanas ou mais. A ferrugem penetra mais fundo, e as pastilhas podem colar nos discos. Aí as primeiras aplicações trazem não só guincho, mas trepidação pelo pedal, e a película não sai por completo: ficam pontos de corrosão no disco e pode ser preciso retífica ou troca.

Como verificar você mesmo

  1. O teste de repetição. Em local seguro, faça uma série de 10 a 15 frenagens moderadas a partir de 50 ou 60 km/h. Um guincho “molhado” desaparece até o fim da série; um guincho de desgaste permanece ou aumenta conforme os freios esquentam.
  2. Inspeção pelos raios. Em muitos carros a pastilha externa é visível sem tirar a roda. Material de atrito com menos de 3 mm (avalie o material, não a base metálica) é motivo para agendar a troca.
  3. Quando o som aparece. Um chiado sem pisar no pedal que some na frenagem é a assinatura do indicador de desgaste.
  4. Como o carro se comporta. Puxar para um lado, vibração no pedal, distância de frenagem maior — sinais que significam não adiar a visita de jeito nenhum.

Um esclarecimento: se o guincho se ouve sobre irregularidades e lombadas, e não na frenagem, provavelmente os freios não estão envolvidos — é assim que se comportam as buchas da barra estabilizadora e as bieletas, e amortecedores cansados amplificam qualquer ruído de suspensão.

O que fazer a respeito

Se o guincho é do tipo úmido, não é preciso fazer nada: é o preço do projeto do freio a disco, igual em carros de entrada e premium. Se o som é constante, os serviços típicos são limpar e engraxar os pinos deslizantes da pinça, trocar as pastilhas e retificar ou trocar os discos quando a espessura medida exigir.

Uma boa prática é combinar a inspeção dos freios com a troca de pneus: as rodas já estão fora e avaliar as pastilhas leva minutos.

Existe prevenção para o próprio guincho. Se o carro dorme na rua em clima úmido, um hábito simples ajuda: faça duas frenagens calmas no fim do trajeto para secar os discos, e evite deixar o freio de mão acionado sobre tambores molhados durante uma parada longa. Isso não elimina totalmente o guincho matinal — a ferrugem se forma de qualquer jeito —, mas o som fica mais baixo e mais curto.

Se você não sabe como classificar o som, grave-o no aplicativo Pro-Stuk — de preferência de manhã, nas primeiras aplicações, quando o guincho é mais alto. O aplicativo compara a gravação com as suas respostas e mostra as causas prováveis com uma classificação de urgência.