O rangido fino e agudo ao chegar devagar num semáforo é familiar para quase todo mundo: o carro já quase parou, o pedal está mal pressionado — e as rodas dianteiras soltam um guincho audível até para quem passa na calçada. O som é desagradável, mas por si só não significa que os freios estão com defeito. O guincho nasce de vibração, e vibração no par pastilha e disco surge tanto em mecanismos novos quanto gastos. O que vale entender não é o fato do guincho, e sim as condições em que ele aparece.
De onde vem o som
A pastilha pressiona o disco em rotação, surge atrito entre eles, e todo atrito é uma sequência de agarradas e soltadas microscópicas. Se a frequência dessas soltadas coincide com a frequência natural da pastilha ou da pinça, o conjunto entra em ressonância como um arco numa corda. O resultado é um rangido na faixa de 2 a 15 kHz, no limite superior dos sons que um carro costuma fazer.
Daí se conclui que o guincho depende da rigidez do material de atrito, da força de aperto, da temperatura e do estado da superfície do disco. Em baixa velocidade os quatro fatores se combinam de forma desfavorável com mais frequência — o aperto é leve, os freios estão frios e pode haver uma película de umidade ou pó no disco. É exatamente por isso que o mesmo carro fica silencioso em uma frenagem de emergência a 90 km/h e range ao se aproximar de um portão.
Quando o guincho é inofensivo e quando não é
| Condições | O que provavelmente é |
|---|---|
| As primeiras 2 ou 3 frenagens de manhã ou depois da chuva | Ferrugem superficial no disco, normal |
| Os primeiros 200 a 500 km após uma troca de pastilhas | O jogo novo se assentando |
| Só com pressão leve, some na frenagem forte | Vibração da pastilha, problema cosmético |
| Constantemente, com qualquer pressão no pedal | Material de atrito gasto ou pinça travada |
| O guincho virou raspagem de metal | O material acabou, o disco está sendo cortado |
| Guincho sem encostar no pedal | O indicador de desgaste ou uma pastilha prendendo |
As três primeiras linhas não pedem reparo — no máximo graxa nos pinos deslizantes e chapas antirruído. As três últimas significam que uma visita à oficina deve ser programada: no melhor caso termina com um jogo de pastilhas, no pior os discos entram junto. Como soam os diferentes estágios de desgaste está na página de sintoma freios guinchando e em reconhecendo o desgaste das pastilhas de ouvido; os casos matinais e de tempo úmido têm análises próprias em freios guinchando depois de ficar parado e freios guinchando depois da chuva.
O que verificar você mesmo
O jeito mais fácil de começar é observando, não com a chave na mão. Três trajetos seguidos dão quase o quadro completo:
- Uma saída em manhã fria. O guincho está presente nas primeiras frenagens e depois some — umidade e ferrugem superficial, assunto encerrado.
- Pressões diferentes no pedal. Guincha só no toque leve — vibração; guincha também na frenagem forte — mecânica.
- Guincho sem o pedal. O som vem em desaceleração — o indicador metálico de desgaste está fazendo o trabalho dele: uma lingueta fina que passa a tocar o disco quando o material de atrito chega ao limite.
Uma inspeção visual dá mais confiança. Tire a roda e avalie a espessura do material de atrito pela janela da pinça: menos de 3 mm significa jogo a ser trocado. Vale comparar a roda esquerda com a direita: uma diferença de mais de dois milímetros diz que uma pinça está trabalhando pior que a outra. Se ao guincho se somou trepidação no pedal ou tremor no volante, veja trepidação do volante ao frear — isso trata de geometria do disco, não de ruído de pastilha.
Como se decide o reparo
A ordem prática é esta: primeiro manutenção do mecanismo — desmontar, limpar e engraxar os pinos deslizantes — e só depois peças novas. Trocar um jogo de pastilhas por causa de um guincho sem conferir os pinos deslizantes é um jeito conhecido de pagar duas vezes: material de atrito novo em uma pinça travada guincha do mesmo jeito.
Duas coisas que vale pedir na troca de pastilhas. Que o kit de montagem — chapas e molas — entre junto: são essas peças que impedem a pastilha de vibrar, e muitas vezes ficam esquecidas na caixa. E que a condição dos discos seja avaliada na mesma hora, porque discos gastos ou sulcados devolvem o mesmo guincho em pastilhas novas.
Mais uma coisa que os mecânicos nem sempre mencionam: um jogo novo precisa de assentamento. Algumas dezenas de frenagens moderadas a partir de 60 ou 80 km/h, sem frenagens bruscas e sem pausas longas parado com o pedal pisado — é isso que forma uma camada de transferência uniforme no disco e elimina metade do ruído futuro. Se o guincho virou raspagem, a questão já não é de ruído, e sim de segurança.
Se você quer saber o que está soando antes de agendar qualquer coisa, grave o guincho no aplicativo Pro-Stuk ao se aproximar de um semáforo. O aplicativo decompõe a gravação por frequência, compara com as suas respostas a algumas perguntas sobre as condições e mostra as causas prováveis com porcentagens — normalmente o suficiente para decidir entre ir agora e esperar a próxima revisão.