Raspagem na partida é metal contra metal, e na maioria dos casos nasce no par formado pelo motor de arranque e o volante do motor. Com menos frequência a origem acaba sendo a corrente de comando, a bomba d’água ou os variadores de fase. O momento em que o som ocorre — antes de o motor pegar ou depois — divide as causas em dois grupos na hora, então começamos por aí e depois passamos às checagens que não pedem ferramenta.

Raspagem antes de pegar: arranque e cremalheira

Enquanto o motor não pega, só um par está girando: o pinhão do motor de arranque e a cremalheira do volante. Raspagem nesse momento significa que o engrenamento está dando errado:

  • o pinhão não engrena por completo e patina sobre as pontas dos dentes;
  • os dentes da cremalheira estão comidos — em geral em trechos, porque o motor para sempre nas mesmas posições, e aí a raspagem não acontece em toda partida;
  • o impulsor de partida está gasto e escorrega sob carga com um som seco de raspagem;
  • o arranque ficou desalinhado na fixação depois de uma remoção recente — raro, mas acontece.

Cenário à parte é a raspagem depois de o motor pegar, quando o pinhão não desengrenou e o motor está tocando o arranque. O som é alto e estridente, e é motivo para não adiar o reparo: a rotação do motor está muito além do que um arranque aguenta.

Raspagem depois de pegar: distribuição e acessórios

Se o arranque já se calou e sobra um tom de raspagem, procure no próprio motor e nos acessórios.

  • Corrente de comando com tensionador cansado chicoteia a guia nos primeiros segundos — um som de chiado e raspagem vindo da tampa dianteira, que some conforme a pressão de óleo sobe; veja checar a tensão da corrente de ouvido e dá para rodar com corrente esticada.
  • Variadores de fase — os atuadores que mudam o ponto das válvulas — dão um chacoalho seco em vez de raspagem, tratado em chacoalho do variador de fase a frio.
  • A bomba d’água com rolamento quebrado rala e zune o tempo todo, não só na partida, e muitas vezes deixa vestígios de líquido de arrefecimento — a separação está em zunido: alternador ou bomba d’água.
  • Rolamentos tensores da correia com graxa ressecada chiam e raspam a frio até os rolamentos aquecerem.

O mapa geral dos sons de motor frio está na página de sintoma batida no motor frio, e o quadro mais amplo dos ruídos dos primeiros segundos em chacoalho do motor na partida.

Estreitando a lista sem ferramenta

Três observações que dá para fazer de verdade na sua garagem:

  1. Nova partida com o motor quente. Se a raspagem sumiu, o mais provável é hidráulica (corrente, variadores); se continuar, arranque ou acessórios.
  2. O momento do som. Peça a alguém para girar a chave enquanto você fica no capô aberto: raspagem antes de o motor pegar mora no arranque, depois disso mora no motor ou nos acessórios.
  3. O caráter do som. Um guincho fino não é raspagem, e sim correia patinando — isso tem página própria, guincho na partida. Raspagem é sempre metálica, com textura granulada.

Essas observações costumam bastar para a conversa na oficina começar por um componente específico em vez de «raspa alguma coisa em algum lugar».

Quando raspaOrigem provávelUrgência
Antes de pegar, enquanto giraImpulsor de partida, cremalheiraAlta: a cremalheira é comida rápido
1 a 3 segundos depois de pegarCorrente, tensionador, variadoresDiagnóstico na primeira oportunidade
O tempo todo com o motor rodandoBomba d’água, tensores, alternadorDiagnóstico nesta semana
Depois de pegar, alto e estridenteO pinhão não desengrenouOficina sem adiar

Como se decide o reparo

A economia é simples: o impulsor de partida é peça barata; a cremalheira e o volante do motor não são, porque o câmbio precisa sair para chegar até eles. Quanto antes a raspagem for pega, mais barato sai.

Duas coisas que vale perguntar. Se a cremalheira foi de fato inspecionada — com o arranque fora dá para girar o motor e olhar, e uma oficina que troca o arranque sem fazer isso está chutando. E se o arranque está sendo recondicionado ou trocado: impulsor gasto num arranque saudável é reparo barato, mas só se a cremalheira com que ele engrena estiver boa, senão o impulsor novo se come nos dentes velhos.

Onde a demora leva

Pinhão e cremalheira se desgastam mutuamente: um pinhão comido come a cremalheira e vice-versa. No pior caso, um dia o arranque simplesmente não engrena e o carro não pega longe de casa. Raspagem de corrente é perigosa de outro jeito: uma corrente esticada pode pular um dente, e isso significa ponto do comando alterado, perda de força e, em muitos motores, risco de a válvula encontrar o pistão. Os dois cenários se desenvolvem ao longo de semanas e meses, e os dois são bem mais baratos de estancar no começo.

Se você não sabe em que momento a raspagem mora, grave a partida no aplicativo Pro-Stuk: o algoritmo cruza o som com suas respostas e mostra as causas prováveis com um nível de urgência — assim você chega à oficina com uma teoria de trabalho em vez de um palpite.