O pino do pistão é um cilindro de aço que une o pistão à biela e transmite toda a pressão da combustão. A peça é projetada para durar a vida do motor, então batida real de pino é rara, e a expressão «está batendo pino» vem sendo aplicada à detonação há décadas. Ainda assim, um pino gasto bate de verdade, o som dele é reconhecível e não deve ser confundido com outras batidas: tanto a urgência quanto o orçamento são próprios. Aqui está como ele aparece, como soa e quais testes confirmam.

De onde vem a folga

O pino se apoia em três pontos: em dois alojamentos no pistão e no pé da biela, normalmente por meio de uma bucha de bronze. A folga aparece por três motivos:

  • falta de óleo — a bucha do pé da biela é lubrificada por respingo e névoa e é a primeira a se desgastar quando o nível ou a pressão estão baixos;
  • superaquecimento — os alojamentos de alumínio do pistão perdem o ajuste de interferência depois de um esquentamento sério;
  • detonação — as ondas de choque dela martelam o ajuste do pino no alojamento, de modo que uma detonação avançada acaba somando ao próprio tilintar uma batida de pino verdadeira.

Uma folga de décimos de milímetro já é audível: a cada inversão de esforço o pino se desloca no furo gasto com um estalo metálico.

Como soa a batida do pino

O som é agudo, seco e cortante — mais fino que o tiquetaque do comando de válvulas e mais definido que o tilintar da detonação. O marcador principal é a ligação com as mudanças de carga: a batida fica mais clara nos momentos em que a força sobre o pistão se inverte.

SinalPino do pistãoDetonaçãoVálvulas
CaráterEstalo único e secoUma série de «moedinhas» tilintandoTiquetaque suave e uniforme
Quando se ouveTirar e pôr o pé, acelerada secaAceleração sob cargaO tempo todo, junto com o giro
Depende do combustívelNãoSim, da octanagemNão
AquecimentoQuase não afetaMais alto a quenteMais baixo a quente
Cortar um cilindroA batida mudaNão mudaNão muda

A diferença para a detonação é fundamental: abastecer com combustível de octanagem maior não faz nada por uma batida de pino, enquanto costuma matar o tilintar da detonação. A diferença para a batida de saia do pistão é a temperatura: a saia ressoa a frio e some depois do aquecimento, já o pino bate igual sempre. Se a sua batida só existe com o motor frio, comece por batida no motor só a frio; se ela cresce com o motor quente, por batida no motor quente.

Os testes que confirmam

A checagem caseira é uma acelerada seca com o carro parado: pise e solte o acelerador de forma brusca, com o motor quente. O pino responde com um estalo seco exatamente nas mudanças de carga — ao pegar e ao largar. Depois o mesmo teste com o motor frio: se o som for idêntico, a teoria do pino se fortalece; se for mais alto a frio, o conjunto de pistões é mais provável.

Na oficina os cilindros são cortados um a um: com o motor rodando, desliga-se em sequência a bobina ou o bico de cada cilindro. A carga naquele pistão cai, e a batida de um pino gasto muda bastante ou some — é assim que se acha o cilindro específico. Depois um teste de compressão e uma inspeção por endoscópio pelo furo da vela separam desgaste de pino de risco no cilindro. Uma batida surda e grave, vinda de mais fundo, é outra história e mais urgente — o quadro comparativo está em batidas no motor: todas as causas pelo som e, quando há falha de combustão junto, em falhas de combustão e batidas.

Compare o seu som com as gravações típicas nas páginas de sintoma tilintar ao acelerar e batida no motor. Como o som se comporta com o pé mais fundo está em batida no motor sob carga.

Como se decide o reparo

Pino não se troca por fora: o motor precisa ser aberto e o conjunto de pistões, retirado. Trocam-se os pinos, as buchas do pé de biela e, onde os alojamentos estiverem danificados, os pistões, tudo com os cilindros inspecionados. Isso é território de retífica, e a consequência importante é o tempo: enquanto a folga é pequena o orçamento se limita a pinos e buchas; alojamentos martelados acrescentam um jogo de pistões.

Duas coisas para resolver com a oficina. Qual cilindro foi identificado e como — cortar cilindros é um teste de cinco minutos, e um diagnóstico sem isso é chute. E se a causa foi encontrada: falta de óleo ou detonação que danificou o pino vai danificar o novo também.

Rodar com o pino batendo é possível por pouco tempo e com delicadeza: sem giro alto, sem carga cheia. A folga cresce em ritmo acelerado, e cada quilômetro sob carga empurra o reparo para a versão mais cara.

Se você não tem certeza do diagnóstico — e com batida de motor ninguém tem —, grave o som no aplicativo Pro-Stuk: ele cruza a gravação com suas respostas sobre as condições e mostra as causas prováveis com porcentagens.