Em carros de tração traseira e integral o cardã raramente é de uma peça só: ele é comprido e, em alta velocidade, flexionaria e chicotearia sem remédio. Por isso o eixo é dividido em dois e a emenda ganha um apoio — um rolamento central dentro de um coxim de borracha aparafusado ao assoalho. É uma peça discreta, mas quando ela se gasta o carro avisa de várias maneiras ao mesmo tempo: zumbido vindo de baixo, vibração no assoalho e tranco na saída. Aqui estão os sinais em ordem e como separá-los das origens vizinhas.

Zumbido vindo do meio do assoalho

O primeiro e mais comum sinal é um zumbido constante ouvido debaixo do meio do carro, e não vindo das rodas. Ele aparece por volta de 50–60 km/h, cresce com a velocidade e não some se você deixa correr em ponto morto: o eixo continua girando, então continua zumbindo.

O teste de troca de faixa separa esse zumbido do barulho de roda. Um rolamento de roda muda de volume nas curvas — o peso se transfere, a carga muda. O rolamento central quase não reage a manobras: a carga dele não depende da inclinação da carroceria. A análise geral dessa família de sons está na página de sintoma zumbido ao dirigir, e separar o zumbido da transmissão do de um rolamento de roda está em zumbido: câmbio ou rolamento de roda.

Vibração e tranco na saída

O segundo grupo de sinais vem do coxim de borracha. Quando a borracha racha e perde elasticidade, o eixo ganha liberdade de movimento. Aparece vibração no assoalho a partir de certa velocidade, junto com um tranco ou baque surdo característico no momento da saída — o eixo tem tempo de balançar antes de a carga empurrá-lo de volta ao lugar.

Um marcador à parte é o tremor que cresce bastante sob carga: acelerando em subida ou com o carro cheio. Outro toque reconhecível é a vibração que aparece e some numa faixa específica de velocidade: acelere um pouco mais e o tremor para, embora o zumbido continue. É assim que se comporta um eixo que perdeu o apoio mas ainda não se rompeu de vez. Se a falha avançou mais, entra uma batida metálica contra a carroceria em piso ruim: o apoio cede e o eixo encosta no protetor ou no túnel central.

Separando dos vizinhos

PeçaCaráter do somTeste-chave
Rolamento centralZumbido constante do meio do assoalho, mais vibração no pisoNão muda nas curvas, ouve-se em ponto morto
Rolamento de rodaZumbido ligado à velocidadeMuda de volume nas trocas de faixa
Cruzeta do cardãEstalos e baques na mudança de cargaFolga ao balançar o eixo com a mão
Diferencial traseiroZunido que muda com e sem aceleradorSom diferente sob tração e rodando solto
Volante bimassaZumbido e tremor em marcha lenta, chocalho ao desligarAcompanha o giro do motor, não a velocidade

As duas últimas linhas são as mais confundidas com o rolamento central. Se o som muda conforme o motor está puxando ou o carro está rodando solto, olhe o diferencial traseiro — zunido do diferencial traseiro em velocidade. Se o zumbido e a vibração acompanham o giro do motor e são especialmente notados com o carro parado em marcha lenta, o suspeito é o volante do motor. Estalos na mudança de carga estão em tranco na transmissão ao pisar e tirar o pé.

Checagem e como se decide o conserto

No elevador a peça é checada com a mão: segure o eixo ao lado do apoio e balance para cima e para baixo e para os lados. Um rolamento sadio devolve só a elasticidade da borracha; um gasto dá folga perceptível e um chiado seco característico ao girar. Na mesma hora se inspeciona o coxim: rachaduras, borracha descolada e sinais de que o eixo baixou são visíveis sem instrumento nenhum.

A experiência diz que essas peças valem ser trocadas em conjunto: o eixo sai de qualquer jeito, e a maior parte da mão de obra está justamente em tirar e recolocar. Pagar uma vez pela desmontagem sai mais barato que voltar seis meses depois por causa da cruzeta vizinha.

Duas coisas que valem perguntar. Primeira, se o eixo vai ser marcado antes de ser separado, para que os flanges voltem na mesma orientação — só isso já evita a maior parte das vibrações pós-reparo. Segunda, se o eixo vai ser balanceado depois, no caso de um cardã de duas partes mais comprido; nem toda oficina oferece, e é a diferença entre eliminar a vibração e eliminar apenas o barulho.

Se o zumbido ainda é baixo e não está claro se ele vem do centro do assoalho ou de uma roda, grave no aplicativo Pro-Stuk numa estrada lisa e repita a gravação durante trocas de faixa suaves. O app cruza as gravações com as suas respostas a algumas perguntas e mostra as causas prováveis com porcentagens.